Mata de Rio Preto assim era conhecida. Esse nome em homenagem ao
rio que corta nossa cidade, com uma mata rica em variadas espécies
da fauna e flora da Mata Atlântica. Próximo ao rio
residia um velho conhecido com “JOÃO CABEÇA”,
primeiro morador da localidade, que dava rancho aos viajantes e
fazia a travessia de pessoas e alimentos, em canoas, de um lado
para outro do rio.
Em 1940, iniciou-se a construção da Rodovia BA-02
que faziam a ligação entre Gandu e Santo
Antônio de Jesus – Bahia. Desta forma, começaram
a chegar os novos habitantes para a região. Foram eles: João
Evangelista, conhecido por VANGE; Juvenal Rosário Moreira;
João Batista dos Santos, sua esposa Marcelina de Jesus, e
seus filhos Gerolina (Dona Geró), Olga e João Batista
Filho (João Padeiro), que ganhou esse nome devido a sua profissão.
Não havia casas e a primeira foi construída pelo senhor
João Batista para a sua família, era de taipa, coberta
de palha, não tinha luxo, bancos madeira, camas tarimbas,
fogão de lenha, potes, talhas, pratos e panelas de barro.
Nessa época a energia elétrica não existia.
A iluminação ficava a mercê da natureza, a lua
ou por tochas que eram acesas às 6 horas da tarde e ficavam
acesas até se apagarem. Todos dormiam cedo e acordavam cedo
também.
As pessoas dessa época eram mais amigas e se preocupavam
umas com as outras e se ajudavam mutuamente. A alimentação
era feita à base de hábitos comuns como: peixes que
existiam em abundância (traíra, piau, pitu e camarão),
caças (tamanduás, pacas, capivaras, tatu, macaco,
raposa, teiú, onça etc.) e comércio de secos
e molhados (carne de baleia, bacalhau e carne do sertão).
O
comportamento dos moradores eram bem simples. As mulheres usavam
vestidos de pregas, saias e blusas abaixo do joelho, sem decotes
e com mangas feitos de um tecido chamado “chita e bulgariana”.
Os homens usavam calças de tergal compridas e camisas de
mangas curtas ou compridas. Os namoros só aconteciam a partir
dos dezessete anos de idade. Nunca se via uma moça grávida
sem ter se casado. A prostituição não existia,
pois não era aceito pela sociedade da época. A homossexualidade
era abominável. Apenas na década de 1960 havia um
homossexual em Gandu, porém vivia isolado.
Em 1947, João Evangelista construiu a primeira casa coberta
de telhas. Daí por diante foram surgindo novas construções.
Passado algum tempo, o velho João Cabeça morreu, ficando
seus parentes e amigos que eram Manoel Sizilio Lopes (Paizinho),
Pedro Bispo Clemente (Pedro Velho) e Manoel de Cícero Ramos.
Todas essas pessoas moravam em casas cobertas de palhas, paredes
de sopapo chão batido.
Nessa época, o senhor João Evangelista era comerciante
à margem da BA-02, período em que chegavam para região
o Senhor João Fernandes e sua esposa procedente do município
de Valença-Bahia. Decorrido alguns anos de atividades comerciais,
surgiu mais um comerciante da cidade de Gandu-Bahia, o Sr. Zacarias
Borges de Oliveira, proprietário de uma casa que vendia secos
e molhados por nome de Casa Sertaneja.
Em 1952, com o surgimento da política em Taperoá-Bahia,
a qual a localidade do Rio Preto pertencia nessa ocasião,
o senhor Zacarias foi o baluarte e deu a vitória duas vezes
aos candidatos Vitor Meireles e Torquato Gonçalves Guimarães.
Nos anos de 1954 e 1958, o senhor Zacarias candidatou-se a vereador
pelo PSD (Partido Social Democrático), sendo vitorioso com
expressiva votação.
No ano de 1962, Zacarias Borges de Oliveira na qualidade de vereador
de Taperoá-Bahia,
resolveu lutar pela emancipação política do
Distrito de Burietá, que havia tomado a categoria de Distrito
no ano de 1954, Lei sancionada pelo então Governador Luiz
Régis de Pacheco Pereira.
Na tentativa de emancipação, nasceu um diálogo
entre Constantino de Souza Carneiro (Marinho), Antônio França
Jenkens e Zacarias Borges de Oliveira, entre amigos e parentes.
Muitos nomes foram cogitados para dar nome ao novo município,
mas, surgiu o nome de TEOLÂNDIA, que significa “TERRA
DE DEUS”. Após a aprovação na Assembléia
Legislativa, foi sancionada pelo Excelentíssimo Sr. Governador
do Estado da Bahia, Dr. Juracy Magalhães, cuja Lei recebeu
o número 1727 de 19 de julho de 1962. No mesmo ano foi realizada
a primeira eleição, sendo candidato único o
senhor Zacarias Borges de Oliveira, que tomou posse em 07 de abril
de 1963. Retornou novamente à prefeitura em 1979. Sendo seu
sucessor em 1967 o senhor Adauto Queiroz Guimarães e um segundo
mandato em 1974. No ano de 1971, tomou posse pela primeira vez João
Ramos de Oliveira. Em mais duas oportunidades João Ramos
(Joãozito) participou do pleito e foi eleito em 1982 e 1996.
Em 1989, Luiz Carlos de Lima tomou posse pela primeira vez, retornando
novamente em 2001 para um segundo mandato. Em 2005, assume o atual
prefeito Antônio Santana Júnior.
Teolândia é uma terra abençoada como já
diz o seu nome. Seu clima é temperado, úmido a sub-úmido,
com um relevo que apresenta bastantes declividades. A sua população
é formada por aproximadamente
12,5 mil habitantes. Alguns serviços públicos são
oferecidos à população local com a Embasa (Empresa
Baiana de Saneamento e Água), fornecendo água tratada,
serviço de coleta de lixo, energia elétrica. Possui
uma Unidade Hospitalar denominada de Fundação Hospitalar
de Teolândia, uma agencia dos Correios, os serviços
bancários do Bradesco, dezenas de supermercados e os serviços
de três farmácias, além de panificadoras, lanchonetes,
pizzaria entre outros estabelecimentos.
Na agricultura destacam-se
o cacau, banana, guaraná, cravo, pimenta-do-reino e maracujá,
entre outros produtos. Na pecuária
destacam-se os bovinos, caprinos, suínos e eqüinos.
A religião é predominantemente cristã, dividindo-se
entre católicos e protestantes.
Outras personagens foram
muitos importantes na história desse município. Uma
personalidade marcante foi a do vice-prefeito João Pastorinha
de Assunção. Através de sua persistência
em ter uma melhor educação para seus filhos e as pessoas
da “Terra de Deus” construiu a primeira escola do município.
Junto à comunidade bancou a vinda de uma professora para
ensinar aqui nesta terra. Mais tarde, junto ao governo
do Estado construíram a primeira escola de ensino médio
para capacitar os jovens dessa cidade, o Colégio Cenecista
Líbia Tinôco Melo, priorizando o magistério
para que os futuros professores fossem filhos da terra.
Este trabalho só foi possível graças
ao trabalho de pesquisa realizada pela professora Rita de Cássia
Neves, estudante do curso de História pela FACSA, e Julival
de Melo Almeida, graduado em Geografia pela Universidade do Estado
da Bahia, junto a moradores antigos da cidade, dentre eles evidenciam-se
o senhor João Benedito Fernandes (In memorian), a senhora
Escolástica (1ª professora), o senhor Zacarias Borges
de Oliveira (In memorian), a professora Tânia Assunção
e os depoimentos de D. Geró e D. Olga.
Endereço:
Rua Antonio dos Santos, s/n, Centro - Teolândia -
Bahia.
CEP 45465-000
Tel.: (73) 3279-2131 / 3279-2128